sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Gliese 581G (Terra II)


A nova terra se chama Gliese 581 g
Investigadores americanos liderados por Steven S. Vogt da Universidade da Califórnia e R. Paul Butler do Carnegie Institution of Washington, anunciaram anteontem (ver aqui) a descoberta de dois novos planetas a orbitar a anã vermelha Gliese 581, elevando agora a contagem neste sistema para seis planetas. A descoberta resultou da combinação de 11 anos de observações realizadas com o espectrógrafo HIRES (High Resolution Echelle Spectrometer) num dos telescópios do W. M. Keck Observatory, no Hawaii, com as observações publicadas no ano passado pela equipa de astrofísicos europeus do Observatório de Genebra.
Situado a cerca de 20,5 anos-luz de distância da Terra, na direcção da constelação de Balança, o sistema planetário de Gliese 581 já era conhecido anteriormente por albergar o gigante gasoso Gliese 581b e três outros planetas telúricos: Gliese 581c, Gliese 581d e Gliese 581e. Juntam-se agora a estes quatro os planetas f e g.
Dos dois novos objetos, Gliese 581g é, sem dúvida, o mais interessante. Com cerca de 3 vezes a massa da Terra e um diâmetro 1,2 a 1,4 vezes o diâmetro da Terra, este novo planeta telúrico orbita a sua estrela a cerca de 0,146 UA de distância, no interior da chamada "zona habitável", uma região em torno da estrela onde a água poderá existir no seu estado líquido! Este aspecto tem, sem dúvida, fortes implicações para a potencial existência de vida (como a conhecemos) na sua superfície. No entanto, como o próprio Paul Butler afirma: "Nesta altura, qualquer discussão relativa à existência de vida [em Gliese 581g] é pura especulação".


As órbitas dos 6 planetas no sistema de Gliese 581 em comparação com as órbitas dos três planetas interiores do Sistema Solar. De notar que o planeta mais exterior do sistema se encontra numa órbita mais próxima da estrela que a órbita da Terra relativamente ao Sol.


Gliese 581g possui outra particularidade interessante. O planeta apresenta sempre o mesmo hemisfério voltado para a estrela hospedeira, o que indicia a existência de diferenças significativas de temperatura entre o lado diurno e o lado nocturno.

Por: Bruno Cardoso 

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